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Marília

Fonoaudióloga de Marília explica sinais da dislexia e quando buscar diagnóstico

Especialista aponta comportamentos que acendem o alerta na alfabetização e defende avaliação multidisciplinar e adaptação do ensino.

Carteiras escolares enfileiradas em sala de aula com luz natural
Pulso Regional · Pulso Regional

Trocar letras na escrita ou ter dificuldade persistente para ler são sinais que costumam acender o alerta entre pais e professores. Quando essas dificuldades continuam mesmo diante de um ensino adequado, podem indicar dislexia, um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta o processamento da linguagem escrita. Em entrevista ao g1, a fonoaudióloga Marília Seno, de Marília, explicou como diferenciar o atraso escolar da condição e em que momento procurar avaliação especializada.

Segundo a especialista, os sinais variam conforme a idade. Na educação infantil, antes da alfabetização, a criança pode ter dificuldade para aprender rimas e para identificar palavras que começam com o mesmo som. Durante a alfabetização, o transtorno fica mais evidente na hora de associar letras aos seus respectivos sons, ler sílabas e palavras, alcançar leitura fluente e escrever corretamente.

A fonoaudióloga destaca que trocar letras isoladamente não significa ter dislexia. O que chama atenção é a persistência do problema e o impacto no aprendizado, mesmo quando a criança tem acesso a um ensino estruturado e a estímulos adequados. A condição não tem relação com o nível de inteligência nem com falta de estímulo.

Diagnóstico envolve equipe multidisciplinar

Por não ser uma doença, a dislexia não tem cura. O tratamento busca desenvolver as habilidades individuais de cada pessoa, e a escola tem papel central, adaptando o ensino e as formas de avaliação. O diagnóstico, explica a especialista, exige uma equipe multidisciplinar, com participação de profissionais como fonoaudiólogos, psicólogos e pedagogos.

O g1 ouviu também a mãe de uma adolescente diagnosticada. Meyme Vasconcelos relata que a filha Helena, hoje com 14 anos, recebeu a confirmação entre os 9 e os 10 anos, depois de um período de dificuldades na escola. O acompanhamento permitiu ajustar a rotina de estudos e o suporte pedagógico.

Quando buscar ajuda

  • Dificuldade para aprender rimas e sons de letras na educação infantil
  • Leitura lenta, silabada e com trocas frequentes durante a alfabetização
  • Problemas para escrever corretamente mesmo após ensino adequado
  • Queda no desempenho e sinais de frustração na escola

A orientação é que famílias e escolas procurem avaliação assim que os sinais se tornarem persistentes, sem esperar que a criança “amadureça” a leitura. Quanto mais cedo o diagnóstico acontece, maior é a chance de evitar prejuízos pedagógicos e emocionais ao longo da vida escolar.

Fontes desta matéria

  • g1
  • Marília Seno