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Agora · Atualização Inmet alerta para tempestade com ventos de 60 km/h e granizo em Presidente Prudente 4 nov 2026, 15h11
São Paulo · Cidades

Vazamento do Smart Sampa expôs imagens de 58 mil câmeras em SP por 11 meses

Especialista alerta que as imagens podem ajudar criminosos; prefeitura nega falha de segurança e diz que servidor foi afastado.

Câmeras de vigilância instaladas em poste de rua, com prédios ao fundo em uma avenida da cidade
Pulso Regional · Pulso Regional

A Prefeitura de São Paulo investiga o vazamento de dados sigilosos do Smart Sampa, o sistema de câmeras e reconhecimento facial da gestão Ricardo Nunes (MDB). Segundo o UOL, que revelou o caso nesta terça-feira (20), informações internas da plataforma ficaram expostas na internet por cerca de 11 meses e permitiram acesso indevido às imagens de mais de 58 mil câmeras, entre elas equipamentos instalados em ruas, escolas, creches e hospitais da capital paulista.

O episódio acendeu o alerta de especialistas em segurança pública. Ao g1, o professor Rafael Alcadipani, da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirmou que as falhas no controle de acesso às imagens podem colocar a população em risco e defendeu uma auditoria independente no sistema.

“Um sequestrador poderia obter informações sobre a vítima que deseja sequestrar; um criminoso poderia saber onde estão as viaturas policiais no momento em que pretende cometer o crime; e alguém interessado em cometer um atentado contra uma autoridade poderia descobrir onde essa autoridade está.”

Rafael Alcadipani, professor de segurança pública da FGV, em entrevista ao g1

Para o especialista, o caso mostra que a ferramenta, criada para auxiliar o combate à criminalidade, pode acabar sendo usada para facilitar crimes. Ele também questionou o fato de a exposição ter sido descoberta pela imprensa, e não pelos controles internos da prefeitura, e defendeu a restrição do número de pessoas autorizadas a consultar as imagens, além do monitoramento permanente dos acessos.

O que diz a prefeitura

A administração municipal nega que tenha havido falha de segurança na plataforma e atribui o vazamento a um agente de segurança, que foi identificado e afastado do cargo. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a conduta é investigada pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e o caso foi tratado como um ato criminoso individual, sem uso indevido da plataforma.

A gestão Ricardo Nunes informou ainda que retirou do ar o repositório disponibilizado ilegalmente na internet e reforçou os mecanismos de proteção, com senhas exclusivas e autenticação em dois fatores. O sistema, segundo a prefeitura, é fiscalizado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) e envia relatórios semestrais de transparência ao Ministério Público. O prefeito chegou a afirmar que o sistema “é absolutamente seguro”.

O que é o Smart Sampa

Lançado em 2024, o Smart Sampa é uma das principais apostas da gestão municipal na área de segurança. A central de monitoramento, inaugurada em julho daquele ano, funciona 24 horas por dia e recebe imagens de câmeras públicas e privadas integradas ao programa, com uso de inteligência artificial para comparar rostos captados nas ruas com bases de dados.

  • Investimento mensal: cerca de R$ 10 milhões
  • Câmeras com imagens expostas: mais de 58 mil, segundo o UOL
  • Período de exposição: cerca de 11 meses
  • Medidas anunciadas: senhas exclusivas, autenticação em dois fatores e apuração interna

Para quem circula pela cidade, o debate agora é sobre garantias de que as imagens captadas em vias públicas, escolas, creches e unidades de saúde continuem sob controle restrito. A recomendação dos especialistas é que a prefeitura informe quantas pessoas têm acesso ao sistema e que uma auditoria externa verifique se os dados vazados foram usados de forma criminosa.

Fontes desta matéria

  • g1
  • UOL
  • Prefeitura de São Paulo
  • UOL Período
  • O Globo
  • Gazeta do Povo