Ato no Centro de Campinas repudia violência política e ataques a indígenas
Lideranças indígenas e estudantes fizeram ato no Centro de Campinas no domingo (1º); Unicamp reforçou orientações de segurança após agressão a aluno em Limeira.
Um ato no Centro de Campinas, na tarde do domingo (1º), reuniu lideranças indígenas, estudantes e movimentos sociais para repudiar a violência política no período pós-eleitoral e os ataques a populações indígenas no país. A manifestação aconteceu no mesmo dia de protestos em capitais de ao menos 11 estados e teve como estopim a denúncia de uma abordagem armada sofrida por um estudante indígena da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) matriculado no campus de Limeira, no interior paulista.
Segundo o Correio da Manhã, a caminhada em Campinas foi conduzida na linha de frente por lideranças indígenas da cidade, pelo Coletivo de Estudantes Indígenas da Unicamp e pelas Acadêmicas Uirapuru. O ato, que também marcou a celebração do resultado das urnas, colocou no centro do debate os direitos territoriais e o combate ao racismo.
O que motivou a manifestação
De acordo com o relato divulgado, o estudante voltava da faculdade no período noturno quando foi interceptado por dois homens em um veículo. Sob a ameaça de uma arma apontada para a cabeça, teria sido alvo de ofensas ligadas ao resultado das eleições presidenciais e de ameaças de morte.
A Reitoria da Unicamp divulgou, em 30 de outubro, uma nota em que condena as agressões registradas em Limeira e classifica qualquer ato de hostilidade ou discriminação como inaceitável. A universidade informou que acompanha as apurações junto aos órgãos de segurança pública e que presta assistência institucional aos alunos atingidos.
Foi uma manifestação completamente necessária e enriquecedora em defesa da vida dos povos indígenas, além de uma denúncia à violência política.
Orientações aos estudantes
O coletivo de estudantes indígenas orientou os alunos a evitarem deslocamentos isolados à noite, a usarem os canais de denúncia da universidade e a acionarem a Polícia Militar pelo 190 em situações de emergência.
Para casos de intimidação, perseguição ou violência política, o Governo Federal mantém canais gratuitos de atendimento:
- Disque 100, central do Ministério dos Direitos Humanos, disponível 24 horas;
- Plataforma Fala.BR, em falabr.cgu.gov.br;
- Ouvidoria do Ministério dos Povos Indígenas.
Dados no país
Um levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) aponta 40 casos de violência política contra indígenas entre julho e outubro de 2026, atingindo 30 etnias em 35 territórios de 15 estados. No período eleitoral, o balanço registra sete homicídios, 11 ameaças de morte, 35 episódios de racismo, 18 agressões físicas e sete casos de violência de gênero.
Diante dos episódios, os Ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial, a Polícia Federal e o Ministério da Justiça criaram uma força-tarefa interministerial para centralizar as investigações e punir os responsáveis.
Fontes desta matéria
- Correio da Manhã
- Unicamp
- Apib
- Polícia Federal
- Ministério dos Povos Indígenas
- Articulação dos Povos Indígenas do Brasil