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Agora · Atualização Inmet alerta para tempestade com ventos de 60 km/h e granizo em Presidente Prudente 4 nov 2026, 15h11
São Paulo

Polícia Civil investiga seis mortes de crianças por infecção hospitalar no Salvalus, na Mooca

Inquérito no 8º DP, na Mooca, apura mortes de crianças de até 3 anos por infecções; hospital diz que casos têm históricos clínicos distintos.

Fachada de prédio hospitalar de concreto em área urbana de São Paulo, com janelas e calçada, sob céu com nuvens
Pulso Regional · Pulso Regional

Seis mortes de crianças de até três anos estão sob investigação da Polícia Civil no Hospital Salvalus, na Rua Bresser, na Mooca, Zona Leste de São Paulo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os casos ocorreram desde o início do ano e foram comunicados às autoridades na quarta-feira (21). As crianças teriam contraído infecções hospitalares e morrido em decorrência de sepse e de outras complicações.

O inquérito foi aberto no 8º Distrito Policial, na região da Mooca. Conforme apurou o g1, a apuração inclui depoimentos de profissionais de saúde e de testemunhas, além da análise integral dos prontuários médicos, com o objetivo de esclarecer as causas das mortes.

O caso de Alice Vitória

Uma das famílias ouvidas é a da assistente social Leticia Ferreira. Ela levou a filha, Alice Vitória, ao hospital para uma cirurgia de gastrostomia. A menina tinha uma síndrome de base que dificultava a deglutição e usava sonda nasoenteral desde o nascimento. A previsão, segundo a mãe, era de cerca de uma semana de internação.

O que ocorreu, conforme o relato dela, foi uma sequência de complicações. A criança não conseguiu ser extubada por causa de broncoespasmos e precisou ir para a UTI. Quando se preparava para retirar o tubo de ventilação, a sutura da gastrostomia se abriu e Alice voltou ao centro cirúrgico. No segundo procedimento, sofreu uma parada cardíaca; a menina tinha uma cardiopatia congênita, uma comunicação interventricular (CIV).

Depois de uma melhora, Alice desenvolveu feridas na parte de trás da cabeça, uma delas na região da válvula implantada para tratar a hidrocefalia. A abertura foi seguida por uma infecção que exigiu uma nova cirurgia e semanas de tratamento com antibióticos. Alice morreu em abril, três dias depois de completar 1 ano. A certidão de óbito aponta sepse com foco pulmonar e insuficiência respiratória aguda como causas da morte.

“Eu finalmente podia pegar minha filha no colo, porque todo esse tempo não pude pegar ela no colo, porque ela tava bem debilitada.”

Leticia Ferreira, mãe de Alice Vitória, ao g1

A mãe afirma que a filha também contraiu KPC e Clostridium. “Só que tantos casos não é normal. Não é normal. Aí tem a ver com alguma outra questão de organização, de higiene”, disse ela.

Outras famílias e a defesa do hospital

A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que representa três mães, afirma que ao menos 19 famílias perderam filhos em cirurgias realizadas no hospital nos últimos seis meses. O Hospital Salvalus pertence à rede Hapvida, do grupo NotreDame Intermédica.

Em nota, a unidade informou que ainda não havia recebido notificação formal sobre os procedimentos mencionados e que permanece à disposição das autoridades. A instituição declarou também que as avaliações realizadas até o momento apontaram históricos clínicos distintos, sem identificação de uma origem infecciosa comum entre os casos examinados.

Já a Polícia Civil confirmou, por meio de nota, que o inquérito apura as mortes a partir dos depoimentos e da documentação médica reunida. Os casos seguem em investigação no 8º DP, na Mooca.

Fontes desta matéria

  • g1
  • Secretaria da Segurança Pública de São Paulo
  • Polícia Civil
  • Hospital Salvalus
  • Secretaria da Segurança Pública