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Agora · Atualização Ponte entre Sousas e Joaquim Egídio é fechada para reparo após erosão 21 out 2026, 17h05
São Paulo · Cidades

Mortes no trânsito de SP sobem para 782 em 2026 e motociclistas são 48% das vítimas

Foram 782 mortes entre janeiro e setembro, 1,5% mais que em 2025; óbitos de motociclistas cresceram 74% em dez anos na capital.

Vista aérea de um cruzamento de rodovias urbanas com trânsito intenso de carros, ônibus e caminhões em São Paulo
Pulso Regional · Pulso Regional

São Paulo registrou 782 mortes no trânsito entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados do Infosiga, sistema do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) divulgados pelo g1. O número representa alta de 1,5% na comparação com o mesmo período de 2025, quando a capital teve 770 óbitos. Quase metade das vítimas deste ano — 48% — estava em motocicletas: mais de 370 motociclistas morreram no período, e quase 300 pessoas foram vítimas de atropelamento.

Mortes de motociclistas crescem 74% em dez anos

A concentração de óbitos entre quem anda sobre duas rodas não é novidade. De 2017 para cá, o número de motociclistas mortos no trânsito da capital cresceu 74%, mesmo depois da criação da Faixa Azul, em 2022, corredor exclusivo pensado para a circulação de motos. Em 2026, a cidade já somava cerca de 1,17 milhão de motocicletas em circulação.

Para especialistas em mobilidade urbana, o tamanho da frota ajuda a explicar o cenário, mas está longe de ser o único fator. Condições das vias, comportamento dos condutores e, sobretudo, fiscalização aparecem na lista de causas apontadas por quem estuda o tema.

“Eles não têm uma carcaça metálica em volta do corpo e conseguem desenvolver uma velocidade muito alta. Essa combinação de velocidade alta com essa falta de proteção sempre vai deixá-los mais vulneráveis”

Ana Carolina Nunes, especialista em mobilidade urbana, ao g1

A especialista defende que medidas de infraestrutura só produzem resultado quando vêm acompanhadas de fiscalização efetiva. “Mesmo ações de estrutura, como a própria Faixa Azul, elas não fazem diferença se não tiver essa fiscalização junto”, afirmou. Ela lembra ainda que a velocidade de um motociclista influencia o comportamento dos demais, já que os corredores funcionam como espaço compartilhado.

Capital tem menos radares que o Rio

O diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, associa o problema à impunidade. “A imprudência é vinculada à impunidade”, disse ao g1. Na avaliação dele, os radares são fundamentais para coibir infrações, mas precisam ser capazes de detectar motocicletas, algo que nem sempre acontece.

Os números de fiscalização ajudam a dimensionar a discussão. Apesar de ter o dobro de ruas e avenidas do Rio de Janeiro, São Paulo conta com 879 radares, contra 1.042 na capital fluminense. Na última década, a quantidade de equipamentos de fiscalização variou pouco na capital paulista e chegou a cair entre 2017 e 2026.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo afirmou que trabalha continuamente para ampliar a segurança no trânsito, com campanhas permanentes de conscientização. Sobre a Faixa Azul, a administração municipal disse que a iniciativa reduziu em 26% a gravidade dos acidentes com motocicletas.

Em relação aos radares, a prefeitura informou que uma equipe técnica avalia a necessidade de instalação dos equipamentos, e que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) realiza diariamente ações de fiscalização com equipes nas ruas.

O que muda para quem circula na cidade

Na prática, o quadro aponta para um risco maior a quem usa moto como ferramenta de trabalho e de deslocamento diário — entregadores, mototaxistas e trabalhadores que dependem da agilidade do veículo para chegar ao serviço. Para pedestres, o dado de quase 300 atropelamentos no ano reforça a atenção nas travessias, principalmente em vias de velocidade mais alta, onde a convivência entre carros, motos e pessoas segue concentrando as ocorrências mais graves.