Tarifaço dos EUA atinge Piracicaba, a cidade mais afetada do país, e indústria mira a Europa
Máquinas e equipamentos somam US$ 2 bilhões das exportações da região e sofrem sobretaxas de até 37,5%; Apex oferece subsídio de até R$ 40 mil por empresa.
Piracicaba é a cidade mais afetada pelo tarifaço dos Estados Unidos, segundo estudo do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas (Simespi). O setor de máquinas e equipamentos, que responde por US$ 2 bilhões dos US$ 2,8 bilhões exportados pelos municípios da região em 2026, enfrenta sobretaxas de até 37,5%, e a indústria local passou a apostar no acordo Mercosul-União Europeia como alternativa de diversificação.
De acordo com a Exame, os dados da balança comercial deste ano mostram que a chamada linha amarela, que reúne tratores, escavadeiras e niveladoras, lidera isoladamente a pauta de exportações de Piracicaba e da região, à frente de itens como açúcar e álcool.
Apex oferece subsídio de até R$ 40 mil por empresa
Para ajudar as empresas a redirecionar as vendas sem abandonar as negociações com Washington, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o governo federal lideram iniciativas voltadas à região. Entre elas está a liberação de subsídios de até R$ 40 mil por empresa, para cobrir custos gerados pela reorganização da exportação para um novo mercado.
“Nós temos uma rede de contato de milhares de compradores internacionais que nós trabalhamos junto com os nossos escritórios no exterior, e nós também vamos oferecer feiras internacionais de forma subsidiada.”
Segundo o presidente da ApexBrasil, a estratégia não é substituir o mercado americano, mas ampliá-lo. “Nós vamos continuar promovendo as empresas no mercado americano, que é muito importante. Mas estamos focados na diversificação”, afirmou Müller, que defende o fim das sobretaxas porque, segundo ele, elas “não têm nenhuma razão comercial”.
Para as empresas que ainda não exportam, o apoio inclui a elaboração de planos de negócios e a identificação de mercados e oportunidades. A Europa aparece como destino possível porque importa máquinas e deve reduzir tarifas com o acordo Mercosul-União Europeia, o que daria mais competitividade ao produto brasileiro.
O que muda para a região
Com a linha amarela concentrando a pauta exportadora regional, qualquer mudança nos mercados de destino tem efeito direto sobre a indústria, o emprego e a renda em Piracicaba e nos municípios vizinhos. O redirecionamento para a Europa é uma das frentes para reduzir a dependência de um único comprador, enquanto as conversas com os Estados Unidos seguem em aberto.
Conforme o levantamento do Simespi, a cidade lidera o ranking dos municípios mais atingidos pelas tarifas americanas, e é nela que o segmento de máquinas e equipamentos tem maior peso dentro da balança comercial da região.
Fontes desta matéria
- Exame
- Simespi
- ApexBrasil
- Müller