MPT investiga academia de Piracicaba por ameaça de demissão de estagiários por voto
Denúncias de assédio eleitoral podem ser feitas de forma remota e sigilosa pelo site do MPT; veja como guardar provas.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga uma academia de Piracicaba sob suspeita de ameaçar demitir estagiários por divergências políticas durante o segundo turno das eleições de 2026. Além desse caso, o órgão apura outras duas denúncias de assédio eleitoral na cidade, conforme apurou o g1.
De acordo com o MPT, a investigação está em fase inicial e os nomes das empresas não foram divulgados. Uma das denúncias envolve uma grande empresa de logística, que teria informado que retiraria horas do banco de horas de quem saiu para votar no domingo (25). A outra se refere a um estacionamento, onde funcionários relatam ter sido constrangidos com comentários depreciativos sobre suas posições políticas.
O assédio eleitoral é crime e ocorre quando o empregador ameaça, demite, recusa contratação ou adota outras retaliações contra o trabalhador por causa do voto. Procuradora e coordenadora regional da Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), Marina Tramonte lembrou que a liberdade de escolha política deve ser respeitada no ambiente profissional.
“A autoridade do empregador restringe-se aos limites da atividade econômica. A consciência e a escolha eleitoral do funcionário continuam soberanas. Rescindir contratos de trabalho com base em preferências ideológicas é uma prática ilegal que será combatida pelo MPT”, afirma a procuradora.
Denúncias crescem após o segundo turno
Segundo dados do MPT da 15ª Região, que abrange 599 municípios do interior paulista, as notificações dispararam depois da votação. Entre as 23h59 do último domingo e as 9h30 desta quarta-feira (28), foram registradas 80 denúncias, o equivalente a 37% de todas as 216 recebidas pela regional ao longo de 2026. Até as 16h de quarta, o total acumulado no período pós-segundo turno chegou a 142 casos.
O órgão aponta que a prática continuou mesmo depois do fim da votação, impulsionada por publicações em redes sociais que incentivaram empresários a demitir trabalhadores que votaram em determinado candidato.
Como denunciar
Trabalhadores que sofreram ou presenciaram situações de assédio eleitoral podem registrar a denúncia de forma remota e sigilosa pelos sites regional do interior paulista ou nacional do MPT. Para ajudar na apuração, o Ministério Público do Trabalho recomenda guardar provas.
- Capturas de tela de mensagens e de publicações em redes sociais;
- Áudios e gravações de tela;
- Informações sobre possíveis testemunhas.
Para quem trabalha em Piracicaba, a orientação é não apagar conversas nem mensagens relacionadas ao caso e formalizar o relato o quanto antes, já que o material reunido pode ser decisivo na apuração conduzida pelo MPT.
Fontes desta matéria
- g1
- Ministério Público do Trabalho
- Marina Tramonte
- MPT