Operação Shylock cumpre 11 prisões em Campinas; 18 vítimas perderam imóveis
MP-SP fez 24 buscas em nove bairros nesta sexta-feira (6); Justiça bloqueou bens e sequestrou imóveis.
Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) cumpriu nesta sexta-feira (6) 11 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em Campinas contra um grupo suspeito de praticar agiotagem. Segundo o g1, as investigações apontam pelo menos 62 vítimas, das quais 18 perderam imóveis para os suspeitos.
A ação foi batizada de Operação Shylock, em referência ao personagem de “O Mercador de Veneza”, de William Shakespeare, que ficou conhecido por emprestar dinheiro e exigir garantias rígidas para o pagamento de dívidas. As buscas foram feitas em casas e estabelecimentos comerciais de nove bairros da cidade, segundo o Ministério Público.
Conforme o MP-SP, o grupo oferecia empréstimos particulares e exigia imóveis como garantia. Quem pegava o dinheiro corria o risco de perder a propriedade se não conseguisse quitar a dívida. Entre os alvos de prisão está um escrevente, profissional responsável por preparar e conferir documentos em um cartório de notas de Campinas.
Como o esquema era montado
De acordo com as investigações, os suspeitos usavam contratos com uma cláusula conhecida como alienação fiduciária. Esse tipo de contrato permite que um imóvel sirva de garantia de uma dívida e, em determinadas condições, fique com o credor quando o pagamento não é feito. O MP identificou cerca de 50 operações desse tipo, que envolveram pelo menos 62 pessoas.
O grupo também dividia tarefas, ainda segundo o Ministério Público. Parte dos investigados procurava pessoas interessadas em empréstimos e negociava os valores. Outros preparavam os contratos, administravam o dinheiro e faziam a cobrança das dívidas. A suspeita é de que o esquema tenha usado empresas de fachada e pessoas que emprestaram os próprios nomes para fechar negócios em nome de terceiros.
Os investigadores apontam ainda que os suspeitos transferiam bens entre diferentes pessoas e empresas para dificultar a identificação de quem realmente recebia o dinheiro. Os crimes investigados incluem agiotagem, extorsão, lavagem de dinheiro e uso de informações falsas em documentos.
Bloqueio de bens e sequestro de imóveis
A Justiça determinou o bloqueio de dinheiro e de bens ligados aos investigados. A decisão também prevê o sequestro de imóveis, medida que restringe o uso ou a transferência das propriedades durante a investigação, para evitar que sejam vendidas ou passadas a outras pessoas. Também foi determinada a suspensão temporária do exercício de função pública, sem que o MP detalhasse quem foi atingido.
De acordo com o MP, as decisões buscam impedir a continuidade dos crimes, descobrir o destino do dinheiro e recuperar bens que possam ter sido adquiridos de forma ilegal. A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas, com apoio da Polícia Militar, por meio do 1º e do 10º Batalhões de Ações Especiais de Polícia (Baep), e da Polícia Civil.
O que isso muda para quem mora na cidade
A operação reforça o alerta para quem busca empréstimo particular e aceita dar um imóvel como garantia. Contratos de alienação fiduciária são legais e comuns em financiamentos bancários, mas exigem leitura atenta das cláusulas: em caso de inadimplência, o imóvel pode ser retomado pelo credor. Quem tiver dúvida sobre um contrato já assinado ou desconfiar de cobranças pode procurar o MP, a Defensoria Pública ou uma delegacia.
“A ação busca impedir a continuidade dos crimes e recuperar bens que podem ter sido adquiridos de forma ilegal.”
Até a publicação desta matéria, o MP não havia informado quantos dos 11 mandados de prisão haviam sido cumpridos, nem detalhado os bairros onde as buscas ocorreram.
Fontes desta matéria
- g1
- Ministério Público de São Paulo
- Gaeco
- Polícia Militar
- Polícia Civil
- Ministério Público
- MP