Polícia investiga deputado Marcelo Aguiar por importunação sexual e tiro em balada do Itaim Bibi
Alesp acionou o Conselho de Ética após denúncia sobre carro com placa oficial; apresentador Fred Bruno foi atingido de raspão no pé durante a correria.
A Polícia Civil de São Paulo investiga o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) por suspeita de importunação sexual contra mulheres e por disparo de arma de fogo dentro de uma casa noturna na Zona Sul da capital, na madrugada desta segunda-feira (19). O caso foi registrado no 14º Distrito Policial, em Pinheiros, e o parlamentar foi liberado para responder em liberdade. A pistola dele foi apreendida.
Segundo a Polícia Militar, testemunhas contaram que o deputado “cantou” uma mulher que estava em um grupo de amigos e que, depois disso, dois amigos dela foram tirar satisfação. O registro da corporação afirma que o parlamentar “se sentiu acuado e sacou uma arma de fogo e efetuou um disparo que não atingiu ninguém”. Policiais anotaram ainda que ele aparentava estar alcoolizado quando foi abordado.
Uma frequentadora que estava ao lado do deputado pouco antes da confusão relatou ao g1 que ele estava “absurdamente bêbado”, “xavecando”, “pegando na mão” e “encostando” em pelo menos duas clientes que não demonstravam interesse. Segundo ela, os amigos de uma dessas mulheres pediram que ele parasse. Houve pânico e correria no local.
O apresentador Fred Bruno, da TV Globo, que estava na casa noturna, foi atingido de raspão no pé e gravou um vídeo dizendo que sentiu um impacto e uma ardência forte no local. Ele afirmou que o caso não pode passar impune.
Defesa fala em reação a medicamentos
Em depoimento, o deputado alegou que “caso tenha ocorrido algum disparo proveniente de sua arma, este se deu de maneira acidental”. Ele disse que passou mal durante a noite, possivelmente por causa de medicamentos que havia ingerido, e que ouviu o disparo. Não mencionou a acusação de importunação nem o consumo de álcool.
“O parlamentar estava sob efeito de medicamentos fortes, que provocaram uma reação adversa, e acabou se envolvendo em uma discussão.”
A principal hipótese da Polícia Civil é a de que o tiro tenha sido acidental, quando o deputado caiu no chão após discutir com os homens. O inquérito formal depende de autorização do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), porque o investigado é deputado estadual e tem foro por prerrogativa de função. O pedido já foi encaminhado e aguarda despacho.
Pistola legalizada e placa oficial em carro não cadastrado
A pistola Glock G42, calibre .380, foi apreendida e será periciada pela Polícia Técnico-Científica. A arma está legalizada e o deputado tem autorização para portá-la para defesa pessoal. Como o crime é afiançável e ele tem imunidade parlamentar, a Polícia Civil não formalizou a prisão em flagrante. A reportagem questionou a Secretaria da Segurança Pública se foram feitos exames residuográficos e de alcoolemia, que não constam do registro.
Também não consta no boletim de ocorrência que o carro usado pelo deputado circulava com uma placa oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que não está na lista de veículos cadastrados no gabinete dele. O automóvel estava estacionado em frente à balada e não foi apreendido. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que “todas as circunstâncias dos fatos serão apuradas, o que inclui a possível utilização de placas adulteradas no veículo”.
A Alesp informou que o Conselho de Ética vai analisar uma denúncia apresentada pelas deputadas estaduais Ediane Maria e Monica Seixas, ambas do PSOL. “Caberá agora ao conselho analisar a denúncia apresentada pelas parlamentares e seus desdobramentos”, diz o comunicado da Casa. Uma eventual punição pode chegar à perda do mandato.
Marcelo Aguiar tem 53 anos, é casado e tem dois filhos. A família não estava no local, segundo policiais.
Fontes desta matéria
- g1
- Polícia Militar
- br.jetss.com
- oliberal.com