Preso em Itatiba suspeito de manter trabalhador por 20 anos em condição análoga à escravidão
Vítima de 61 anos denunciou o caso após dar entrada na UPA com ferimentos; ela trabalhava como ajudante de caminhão sem registro e recebia R$ 50 por dia.
Um homem de 62 anos foi preso em Itatiba (SP) na segunda-feira (2), suspeito de manter um trabalhador de 61 anos em condições análogas à escravidão por cerca de 20 anos. O caso só veio à tona depois que a vítima procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, no domingo (1º), com ferimentos nas costas, braços e peito.
Segundo o g1, o trabalhador teria ido cobrar pagamento atrasado quando foi agredido pelo suspeito com uma vara de marmelo. Ele pediu ajuda a comerciantes vizinhos para chamar uma ambulância e, já na UPA, contou às autoridades a situação em que vivia.
Como o caso foi descoberto
A Polícia Militar foi acionada no hospital e colheu o relato da vítima. Em seguida, uma equipe foi até o endereço indicado e encontrou o que o boletim de ocorrência descreve como um galpão “completamente inadequado e desprovido das condições mínimas de habitabilidade e dignidade humana”.
Ainda de acordo com o registro policial, o dono do imóvel foi interrogado e confirmou que o outro homem morava no local e reconheceu uma relação de trabalho informal. Para a vítima, ele dizia receber apenas uma marmita por dia e R$ 50 pela jornada.
Duas décadas sem registro
O trabalhador atuava como ajudante de caminhão no mesmo local havia cerca de 20 anos, sem qualquer registro em carteira. Segundo o relato colhido pela polícia, a carga horária chegava a cerca de 10 horas por dia.
O suspeito foi levado em flagrante por lesão corporal e por manter a vítima em condição análoga à escravidão. A prisão foi convertida em preventiva, e o homem foi acolhido na casa de familiares. O caso foi registrado na delegacia de Itatiba e segue sob investigação.
O que isso significa
Casos como esse, em que a exploração se prolonga por anos no mesmo endereço, costumam vir à tona apenas quando a vítima procura atendimento de saúde ou denuncia por conta própria. Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima ao Ministério Público do Trabalho, à Polícia Federal ou por meio do Disque 100, canal federal de direitos humanos. A identidade do denunciante é preservada.
Fontes desta matéria
- g1
- Polícia Militar
- Delegacia de Itatiba