Com Guarulhos no limite, Viracopos busca cargas de maior valor com acordo belga
Saturação dos armazéns de carga do Aeroporto de Guarulhos abre espaço para Campinas atrair eletrônicos e medicamentos.
O Aeroporto de Guarulhos, principal porta de entrada de carga aérea do Brasil, segue operando no limite da capacidade de seus armazéns, com acúmulo de mercadorias nos pátios, avarias e custos logísticos mais altos para as empresas que importam pelo terminal. É o que indica um informe de junho de 2026 da administradora do complexo guarulhense, citado em reportagem de O Globo desta quinta-feira (29).
O cenário de saturação abriu espaço para a concorrência. No mesmo dia, o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, anunciou uma aliança estratégica com o Aeroporto de Liège, na Bélgica, para estruturar um corredor logístico voltado ao escoamento rápido de componentes eletrônicos, medicamentos e mercadorias do comércio eletrônico internacional. A ideia é capturar parte da demanda de importações de alto valor agregado que hoje passa por Guarulhos.
Segundo a reportagem, o terminal de Guarulhos vem acionando contingências desde o fim de 2023, uma vez que o ritmo de retirada de mercadorias pelos importadores permanece inferior à velocidade com que os voos chegam. A situação já provocou episódios como a suspensão temporária do aceite de cargas secas internacionais pela concessionária, por cinco dias, para tentar desobstruir o pátio.
O que muda para a cidade
Guarulhos concentra boa parte dos empregos e da atividade econômica ligados à logística aérea da Grande São Paulo. A transferência de cargas de maior valor para Campinas pode reduzir a pressão sobre os armazéns do terminal local, mas também sinaliza uma disputa pelo fluxo de importações que movimenta transportadoras, agentes de carga e prestadores de serviço na cidade.
O acordo entre Viracopos e Liège prevê prospecção comercial conjunta, inteligência de mercado e estudos técnicos para avaliar a viabilidade de novos voos cargueiros e pacotes de incentivos a operadores. O aeroporto belga tem uma malha que conecta a Europa à Ásia, o que serve como extensão natural para as rotas sul-americanas operadas a partir de Campinas.
Nossa prioridade é construir relacionamentos com companhias aéreas e agentes de carga capazes de apoiar o desenvolvimento sustentável de novas rotas, ao mesmo tempo em que oferecemos aos embarcadores conexões eficientes.
Do lado de Campinas, Viracopos aposta em nichos de alto rendimento. O aeroporto registrou salto de 43% nos valores de medicamentos importados ao longo de 2026 e iniciou as obras de uma câmara fria para duplicar o espaço de insumos que exigem controle de temperatura. O terminal também concentra a porta de entrada de boa parte do maquinário de alta tecnologia que chega ao Brasil pelo modal aéreo, impulsionado pela expansão de data centers.
Estamos investindo na infraestrutura e nas capacidades necessárias para apoiar a próxima etapa de crescimento da carga aérea brasileira.
Para quem mora em Guarulhos e trabalha no entorno do aeroporto, o movimento reforça a necessidade de investimento em infraestrutura e de agilidade na liberação de mercadorias, de modo que o terminal da cidade não perca competitividade diante da oferta que se organiza no interior paulista.
Fontes desta matéria
- O Globo
- GRU Airport
- Viracopos
- Aeroporto de Liège