Relatório de CPI aponta irregularidades em convênio de R$ 11,9 milhões com a Santa Casa de Casa Branca
Comissão de Rio Preto pede envio do caso ao MP, ao TCE e à Polícia Civil; relatório aponta responsabilidade do prefeito Fábio Rogério Candido.
Um relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Saúde da Câmara de São José do Rio Preto apontou irregularidades no convênio firmado com a Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca e propôs o envio do caso ao Ministério Público Estadual, ao Tribunal de Contas do Estado e à Polícia Civil. O documento tem 46 páginas, é datado de 16 de outubro e foi obtido pelo Portal da Cidade de Casa Branca.
O texto atribui responsabilidade ao prefeito de Rio Preto, Fábio Rogério Candido (PL), pela participação na contratação de R$ 11,9 milhões. A relatoria rejeita a justificativa de que a atuação dele teria sido apenas protocolar e se apoia na assinatura do convênio, no anúncio público do acordo e no depoimento do então secretário de Saúde, Rubem Bottas, sobre a anuência do prefeito ao projeto.
Custos e estrutura sob questionamento
Segundo o relatório, a proposta inicial previa R$ 7,91 milhões para 81.650 procedimentos, entre exames e consultas. A versão posterior passou a R$ 11,90 milhões para 62.930 exames, um aumento de aproximadamente R$ 3,99 milhões, ou 50,43%.
O próprio documento ressalva que as propostas tinham composições diferentes: a primeira incluía 20 mil consultas. A dúvida central apontada pela comissão é a ausência de demonstração suficiente dos custos e da estrutura que justificariam a mudança.
No plano final, a locação de unidades móveis representava R$ 8,43 milhões, cerca de 70,81% do orçamento. Outros R$ 2,7 milhões estavam previstos para serviços médicos. A comissão afirma que faltavam esclarecimentos sobre a disponibilidade das unidades móveis, sobre os profissionais responsáveis e sobre as condições de execução dos atendimentos.
Repasses e devoluções
O convênio foi assinado em 17 de abril. Cinco dias depois, foram transferidos R$ 4.760.660,64 à Santa Casa, o equivalente a 40% do total, antes dos atendimentos previstos. O município anulou o acordo em 4 de maio.
O relatório registra devoluções de R$ 950 mil em maio. A diferença de R$ 3.810.660,64 aparece no documento como saldo histórico, e a atualização depende da confirmação de valores posteriormente recuperados e das destinações comprovadas dos recursos.
Pedido de comissão processante
O Portal da Cidade também teve acesso a uma denúncia por infração político-administrativa, datada de 19 de outubro, que pede à Câmara de Rio Preto a abertura de comissão processante contra o prefeito, com base no relatório da CEI. A peça prevê a possibilidade de cassação do mandato caso as infrações sejam comprovadas após o processo e o julgamento, e ressalva que a responsabilidade não pode ser presumida apenas pelo cargo ou pela assinatura do convênio, pedindo garantia de contraditório e ampla defesa.
O documento também registra a posição apresentada pelo Executivo de Rio Preto: anulação do convênio, cobrança da restituição dos valores e adoção de medidas judiciais. Para a comissão, essas providências posteriores não afastam o exame dos atos anteriores.
A reportagem procurou a Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca, a Câmara e a Prefeitura de Rio Preto, o Tribunal de Justiça de São Paulo, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal. O espaço segue aberto para manifestação dos envolvidos.
Fontes desta matéria
- Portal da Cidade Casa Branca