Basílica de Araras, inspirada em templo de Roma, é tombada desde 1990 e tem museu no andar superior
Templo na Praça Barão de Araras abre um roteiro de poucas quadras com teatro de Niemeyer, Casa da Cultura e Museu Casa da Memória.
A Basílica Nossa Senhora do Patrocínio, no centro de Araras, nasceu de um testamento. Segundo o portal Correio Braziliense, o patrono Albino Alves Cardoso destinou 20 mil contos de réis para financiar, entre 1879 e 1881, uma réplica neoclássica da Arquibasílica de São João de Latrão, uma das quatro basílicas maiores de Roma. A obra começou em 15 de agosto de 1879, quando foi colocada a pedra fundamental, e foi concluída em 27 de janeiro de 1881.
O projeto foi assinado pelo arquiteto e engenheiro Tristão Franklin de Alencar Lima. De acordo com o material, quem visita o templo hoje encontra afrescos de Francisco Pavlovic, vitrais coloridos, altar de mármore e um museu no andar superior, com peças litúrgicas e objetos de arte sacra.
Do tombamento ao título de Basílica Menor
O reconhecimento histórico veio em 12 de março de 1990, quando o templo foi tombado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (COMPHAC). Duas décadas depois, em 15 de agosto de 2010, o Papa Bento XVI concedeu à antiga igreja matriz o título de Basílica Menor, distinção que o Vaticano reserva a templos de relevância especial.
A história do templo se confunde com a formação da cidade. Conforme o Portal do Turismo de Araras, a devoção a Nossa Senhora do Patrocínio surgiu em 1862, por iniciativa da família do Barão Bento Lacerda Guimarães, responsável pela Capela de Nossa Senhora das Araras, considerada o marco inicial da ocupação. Em março de 1865, a família destinou o terreno para a futura igreja da padroeira, e o nome do povoado veio das aves que também batizavam a capela e o título do Barão.
O que visitar em poucas quadras
A Praça Barão de Araras, tombada pelo COMPHAC em 1989, funciona como ponto de partida para um percurso a pé pelo patrimônio da cidade. Nas quadras ao redor estão:
- Teatro Estadual de Araras — assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, recebe espetáculos ao longo do ano.
- Casa da Cultura Emílio Silvestre Wolff — exposições, oficinas e apresentações artísticas.
- Museu Casa da Memória — documentos e objetos sobre a formação de Araras, do ciclo do café à expansão urbana do século XIX.
- Bonde Sobre Rodas — veículo turístico artesanal com capacidade para 42 passageiros, que percorre os pontos históricos e recria o estilo dos bondes do início do século XX.
Na própria praça, os atrativos incluem lagos, fonte luminosa, o Monumento do Centenário e a vista da fachada da basílica. Para quem quer estender o passeio, a cidade mantém o Parque Municipal Fábio da Silva Prado, conhecido como Lago Municipal, com mais de 93 mil metros quadrados, pedalinhos, ciclovia e apresentações musicais aos domingos, e o Parque Ecológico e Cultural Gilberto Rüegger Ometto, com trilhas e pista de caminhada.
O apelido de Cidade das Árvores vem justamente da presença de áreas verdes e de um planejamento urbano voltado à sustentabilidade. Araras tem cerca de 130.866 habitantes, conforme o Censo 2022 do IBGE, e reúne no centro histórico um roteiro que cabe em uma manhã e combina arquitetura religiosa, espaços culturais e obras da arquitetura moderna.
Fontes desta matéria
- Correio Braziliense
- Portal do Turismo de Araras
- COMPHAC
- Censo