Tarcísio restabelece demissão de PM que matou Leandro Lo após decisão judicial
Novo decreto vale antes do trânsito em julgado; ex-tenente perde o salário bruto de R$ 14,6 mil e deixa a Polícia Militar.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), restabeleceu a demissão do tenente da Polícia Militar Henrique Otávio Velozo, condenado por matar o campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo com um tiro na cabeça, em agosto de 2022. Um novo decreto, publicado nesta terça-feira (20), tornou sem efeito a medida que havia suspendido a punição anterior e devolveu o policial aos quadros da corporação, segundo o g1.
Velozo havia sido demitido em setembro de 2025, mas a defesa dele recorreu à Justiça e obteve uma decisão que determinou a reintegração ao cargo. Com isso, o então tenente manteve o vínculo com a PM e continuou recebendo salário bruto mensal de R$ 14,6 mil. Agora, o governo paulista conseguiu uma nova decisão judicial que permite executar a demissão antes do trânsito em julgado do acórdão do Tribunal de Justiça Militar.
Repercussão e histórico
Com a publicação do decreto, a punição administrativa aplicada em setembro de 2025 volta a valer e o ex-tenente perde o direito à remuneração como integrante da corporação. A reportagem procurou a defesa do policial e aguardava retorno até a publicação desta matéria.
O caso acumula reviravoltas desde a morte do lutador. O tenente foi absolvido pelo Tribunal do Júri de São Paulo no fim do ano passado, quando os jurados entenderam que ele agiu em legítima defesa. Em fevereiro deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a demissão mesmo após a absolvição na esfera criminal e derrubou a liminar que garantia o pagamento parcial.
- Setembro de 2025: demitido pelo governo e deixa de receber salário de R$ 14,6 mil
- Outubro de 2025: reincorporado à PM e volta a receber o pagamento
- Novembro de 2025: reassume o cargo após ser absolvido pelo júri popular
- Dezembro de 2025: Comando-Geral da PM o afasta novamente e ele passa a receber um terço do salário
- Fevereiro de 2026: Justiça de SP mantém a demissão
- Outubro de 2026: governador volta a demitir o policial
Para os desembargadores, a demissão é um “ato administrativo vinculado”: depois que o Tribunal de Justiça Militar considerou o oficial “indigno para o oficialato” e decretou a perda do posto e da patente, caberia ao governador apenas cumprir a determinação. O colegiado rejeitou o argumento da defesa de que ele deveria permanecer no cargo até o esgotamento dos recursos. Ainda cabe recurso aos tribunais superiores.
Fontes desta matéria
- g1
- Metrópoles
- CNN Brasil