Polícia identifica mulher que ofendeu estudante com racismo na estação Vila Sônia do metrô
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, ela será intimada a depor; o MP pediu inquérito e as câmeras da estação serão requisitadas.
A Polícia Civil identificou a mulher que ofendeu um estudante com insultos raciais na noite de domingo (18), na estação Vila Sônia, da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ela será intimada a comparecer à delegacia para prestar depoimento. A informação foi divulgada pelo g1.
De acordo com a pasta, a vítima já foi ouvida pelas autoridades e os agentes que atenderam a ocorrência também foram intimados a prestar declarações. A polícia afirmou ainda que vai requisitar as imagens das câmeras de segurança da estação para ajudar nas investigações.
O estudante Márcio Ferreira contou ao g1 que a discussão começou após uma briga política na estação, quando a mulher teria dirigido ofensas homofóbicas a um grupo. Ele disse que resolveu intervir para evitar que o desentendimento terminasse em agressão física. “Falei que não precisava brigar. Após eu dizer isso, ela disse: ‘Então você está com eles? Você é viado igual a eles…’ E começou a proferir as ofensas raciais”, relatou.
Em vídeos gravados pelo próprio estudante, a mulher admite ter usado uma expressão racista contra ele. “Eu falei para ele que ele é um preto de bosta”, diz ela na gravação. Márcio registrou boletim de ocorrência e afirmou que pretende tomar as medidas cabíveis.
O caso ocorreu depois de uma manifestação de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista, na região central da capital, segundo o g1. Márcio disse que pegou o metrô para voltar para casa e que ficou na estação até o momento das ofensas, registradas na parte superior do acesso.
MP pede inquérito
Procurado pelo g1, o Ministério Público informou que o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi) requisitou a instauração de inquérito policial para investigar o caso. A vítima também relatou que pretende levar a denúncia adiante por entender que o episódio não é isolado na cidade.
“Na hora, você se sente culpado… Só que eu sei que eu não tenho culpa. Mas é difícil tirar esse sentimento de culpa que a gente carrega agora”, disse o estudante ao g1, que contou pegar o metrô todos os dias para trabalhar e estudar.
O que diz a concessionária
Em nota, a Motiva, concessionária que administra a Linha 4-Amarela, informou que agentes de Atendimento e Segurança (AAS) atenderam a ocorrência de desentendimento com ofensas racistas entre dois clientes na estação Vila Sônia Profª Elisabeth Tenreiro. Segundo a empresa, as equipes acolheram a vítima e ofereceram apoio para encaminhá-la a uma delegacia, o que ela optou por não fazer naquele momento.
“A empresa repudia veemente qualquer manifestação de racismo e discriminação e permanece à disposição das autoridades para colaborar com a apuração dos fatos.”
Como registrar casos no metrô
- A concessionária orienta que clientes registrem formalmente ocorrências nas estações, com as equipes de segurança das plataformas, ou junto às autoridades policiais, mesmo depois do episódio.
- Boletins de ocorrência podem ser registrados em qualquer delegacia ou pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil de São Paulo.
- Casos de racismo podem ser encaminhados ao Ministério Público pelo Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi).
- Denúncias de discriminação também podem ser feitas por telefone, pelo Disque 100, canal nacional de direitos humanos.
Fontes desta matéria
- g1
- Secretaria da Segurança Pública
- bnewssaopaulo.com.br
- correio24horas.com.br