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São Paulo · Cidades

Justiça aceita denúncia e policial militar vira ré por morte em Cidade Tiradentes

MP-SP pede indenização mínima de R$ 1 milhão à família de Thawanna Salmázio, morta baleada em abordagem na Zona Leste de São Paulo em abril.

Colunata de pedra de um prédio público em manhã de sol
Pulso Regional · Pulso Regional

A Justiça de São Paulo aceitou nesta segunda-feira (19) a denúncia do Ministério Público contra a policial militar acusada de matar Thawanna Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem na Zona Leste da capital. Com a decisão, a soldado Yasmin Cursino Ferreira se torna ré por homicídio triplamente qualificado — por motivo fútil, meio cruel e por recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme noticiou o g1.

O caso ocorreu na madrugada de 3 de abril, em Cidade Tiradentes. Thawanna caminhava com o companheiro quando uma viatura da Polícia Militar passou pela rua e o braço do homem esbarrou no veículo. Houve um desentendimento entre os envolvidos e, segundo os promotores, a policial disparou contra a mulher com uma arma calibre .40. O tiro atingiu a região do abdômen. Ela era moradora da capital, mãe de cinco filhos com idades entre 5 e 13 anos, e trabalhava como ajudante-geral.

Reparação mínima de R$ 1 milhão

Na denúncia, os promotores Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Shaefer pedem que a Justiça fixe em pelo menos R$ 1 milhão o valor da indenização aos familiares. Para a Promotoria, não havia situação que justificasse o uso de força letal, já que a vítima estava desarmada, e o disparo teria sido desproporcional.

“É certo que o delito foi perpetrado por motivação fútil, consistente em discussão banal (…). De igual forma, o crime foi cometido por meio cruel, uma vez que a vítima agonizou por mais de 30 minutos até ser efetivamente resgatada, sem que a denunciada tenha adotado qualquer providência para mitigar seu ato.”

Promotores de Justiça, na denúncia

Conclusão da Corregedoria

A Corregedoria da Polícia Militar concluiu que a soldado teve intenção de matar e que não há elementos que configurem legítima defesa. Segundo o relatório, ela atirou uma vez contra Thawanna, que permaneceu cerca de meia hora no chão à espera do Samu — havia bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local. Para a encarregada do inquérito, não havia risco iminente à vida que justificasse a força letal nem atuação progressiva antes do disparo.

As câmeras corporais dos policiais foram consideradas fundamentais para a apuração. A gravação mostrou que a vítima não encostou no retrovisor nem iniciou nenhuma agressão antes de ser baleada. A versão apresentada pela corporação era de legítima defesa, mas os depoimentos divergiram: uma testemunha afirmou que a discussão começou pela policial e que ela teria agredido Thawanna antes de receber um tapa.

O relatório também apontou indícios de transgressão disciplinar contra o policial Weden Silva Soares, por descumprimento do procedimento de abordagem de pessoa a pé, sem indícios de crime contra ele. O Instituto Médico Legal emitiu o atestado de óbito em 10 de abril, apontando hemorragia interna como causa da morte. A soldado está afastada do cargo desde o episódio, e o inquérito foi enviado à Justiça Militar.

Fontes desta matéria

  • g1