Operação da PF em Rio Preto apreende 28 veículos e mira rede de R$ 460 milhões
Investigação aponta importação clandestina de celulares e uso de laranjas; PF cumpriu 36 mandados em Rio Preto e mais quatro cidades
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (20) a Operação Dux, contra uma rede clandestina de importação de produtos eletrônicos que teria movimentado mais de R$ 460 milhões. Cerca de 130 policiais federais cumpriram 36 mandados de busca e apreensão em São José do Rio Preto, Catanduva, Olímpia, Severínia e Franca, todos expedidos pela 1ª Vara Federal de São José do Rio Preto.
Segundo a Polícia Federal, as buscas resultaram na apreensão de pelo menos 28 veículos em uma garagem, além de celulares novos, dinheiro em espécie, joias, relógios de luxo, armas, drogas e medicamentos usados para emagrecimento e anabolizantes. Conforme o g1, três homens foram presos em flagrante em diferentes pontos de Rio Preto, um deles em um condomínio na Avenida Juscelino Kubitschek.
Investigador da Polícia Civil está entre os alvos
Um investigador da Polícia Civil de São Paulo foi um dos alvos da operação. De acordo com o g1, uma BMW dele foi apreendida no prédio onde ele mora, em São José do Rio Preto, e não havia mandado de prisão contra ele até a última atualização da reportagem. A Polícia Federal apreendeu ainda um acessório com identificação falsificada do Poder Judiciário Federal, usado para guardar documentos funcionais de servidores.
Investigação durou cerca de dois anos
O delegado-chefe da Polícia Federal em Rio Preto, Alexandre Manoel Gonçalves, afirmou que a apuração começou há cerca de dois anos, a partir de pequenas apreensões de mercadorias no plantão policial, e evoluiu para a identificação de uma estrutura organizada, capaz de importar grandes volumes e de distribuir os produtos no comércio local.
“Foi possível mapear e identificar que não era uma pequena apreensão ou um fato isolado. Ao contrário, é uma organização que fazia parte de um grupo mais estruturado e mais capacitado para fazer grandes volumes.”
Segundo a PF, o grupo usava empresas e pessoas sem capacidade econômica compatível com as movimentações para ocultar a origem dos recursos e o patrimônio dos verdadeiros donos. Uma das estratégias era recorrer a pessoas conhecidas como “freteiros”, que emprestavam o nome para comprar veículos usados no transporte das mercadorias estrangeiras. Os chefes do esquema moravam em condomínios fechados de alto padrão, o que, conforme o delegado, dificultava o acesso das autoridades e a fiscalização das lojas.
Bloqueio de bens e tornozeleiras eletrônicas
A Justiça Federal determinou a indisponibilidade de bens e valores dos investigados, a imposição de medidas cautelares e a suspensão de perfis em redes sociais usados para comercializar aparelhos ligados à investigação. Também autorizou o uso de tornozeleiras eletrônicas por oito pessoas apontadas como chefes do grupo. Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por contrabando e descaminho, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O que muda para quem vive em Rio Preto
- Lojas e perfis que vendiam os aparelhos importados na cidade e na região ficam sob apuração da Polícia Federal;
- Quem comprou eletrônicos sem nota fiscal pode ter dificuldade para acionar garantia e assistência técnica;
- O nome da operação, “Dux”, vem do latim e significa “líder” ou “guia”.
Fontes desta matéria
- g1
- Polícia Federal
- PF
- thmais.com.br
- Globo