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Santo André · Cidades

Base da PM ao lado da estação de Santo André vira apoio móvel e preocupa o comércio

Policiais deixaram o posto fixo na Rua Itambé em 23 de setembro por causa da estrutura; a PM diz que o patrulhamento segue na saída da estação.

Calçada de terminal urbano à noite, com estrutura de vidro iluminada e prédios ao fundo
Pulso Regional · Pulso Regional

Comerciantes e pessoas que circulam pelo entorno da estação Prefeito Celso Daniel, no Centro de Santo André, passaram a conviver com uma mudança no policiamento da região. Desde 23 de setembro, os policiais da Base Comunitária de Segurança 18 do Forte, da Polícia Militar, deixaram de permanecer 24 horas por dia dentro do imóvel ao lado da estação. O espaço passou a funcionar como estacionamento e ponto de apoio do patrulhamento móvel.

A medida foi motivada pelas condições precárias da edificação e, conforme apurou o Diário do Grande ABC, o futuro do espaço físico segue indefinido, o que alimenta o receio de quem teme o aumento de furtos e roubos na área.

Para quem trabalha no comércio local, a presença permanente da polícia é um fator decisivo. Cícero Pereira, de 44 anos, mantém uma loja de vestuário no Centro desde 2009 e relata que os crimes passaram a atingir também os estabelecimentos comerciais.

“Não me sinto seguro mais. Antes, furtavam as pessoas na rua; agora, estão entrando nas lojas. Se tirarem a base, vai piorar, com certeza.”

Cícero Pereira, comerciante do Centro de Santo André

O comerciante José Naelton Santana Santos, de 40 anos, que trabalha com roupas na região há sete anos, diz ter presenciado o furto de uma corrente nas proximidades nesta terça-feira (20). Na avaliação dele, uma viatura que circula pelo bairro não substitui a estrutura de atendimento que os comerciantes associam a um posto fixo.

“Uma coisa é ter uma viatura que fica ali e depois vai embora; outra é ter uma base de polícia. A própria base já é um ponto de apoio para quem sofreu um roubo ou alguma coisa e precisa procurar ajuda.”

José Naelton Santana Santos, comerciante

Yasmim Vitória Pereira Cavalcante, de 18 anos, também afirma que a presença policial faz diferença para quem passa o dia trabalhando no comércio. “Se a gente não tem segurança dentro das nossas lojas, mesmo tendo uma base, imagina sem ela”, diz.

PM aponta deterioração e diz que patrulhamento continua

Durante a 63ª sessão ordinária da Câmara de Santo André, realizada na manhã desta terça-feira (20), o comandante do CPA/M-6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana 6), coronel Fernando Carvalho Ricardo, afirmou que a edificação apresenta problemas que impedem a permanência dos policiais em condições adequadas de trabalho. Segundo ele, o vidro não é blindado, as condições sanitárias não são adequadas e os policiais chegam a cumprir 12 horas no local.

“A base apresenta uma condição de deterioração severa, com grandes reclamações dos meus trabalhadores que ficam no local. Eu preciso prezar pela condição do policial.”

coronel Fernando Carvalho Ricardo, comandante do CPA/M-6

O comandante acrescentou que, caso o imóvel não possa ser utilizado, a segurança será mantida por outros meios, como uma viatura estacionada ou uma base comunitária móvel. “O policiamento será mantido na saída da estação de uma forma ou de outra”, declarou.

Câmara e Prefeitura buscam solução

O vereador Bahia do Lava-Rápido (PSDB) recebeu relatos de comerciantes sobre a possibilidade de fechamento tanto do posto ao lado da estação quanto da estrutura da Praça do Carmo. Após levar o assunto à Câmara e encaminhar questionamentos ao governo estadual, ele foi informado pelo comandante do CPA/M-6 de que a unidade do Carmo não será fechada, mas necessita de melhorias estruturais.

“Se o espaço não tem estrutura, precisamos cobrar uma solução para reformá-lo, ampliar as instalações e dar melhores condições aos policiais. Não podemos simplesmente fechar as bases.”

Bahia do Lava-Rápido (PSDB), vereador de Santo André

A Secretaria de Segurança Cidadã de Santo André informou que a base situada na Rua Itambé pertence ao DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre), do Governo Federal, e que o policiamento é feito pela PM, órgão do Estado. Em nota, a Prefeitura afirmou que dialoga com a Polícia Militar para encontrar uma solução, mas ressaltou que não há ingerência direta do município sobre o uso do espaço, já que a decisão envolve os governos federal e estadual.

Enquanto não há definição sobre o destino do imóvel, comerciantes e passageiros que passam diariamente pela estação e pelo terminal de ônibus do Centro seguem cobrando uma resposta sobre como será mantido o policiamento na região.