Rio Mogi Guaçu tem subida de peixes e pesca fica proibida em SP a partir de 1º de novembro
Defeso vai de 1º de novembro a 28 de fevereiro; pesca irregular no Rio Mogi Guaçu pode render multa de até R$ 100 mil.
Peixes começaram a subir o Rio Mogi Guaçu e a pesca no trecho paulista do rio fica proibida entre 1º de novembro de 2026 e 28 de fevereiro de 2027. Imagens feitas por drone nesta segunda-feira (19) flagraram o início do movimento na altura do distrito de Cachoeira de Emas, em Pirassununga, conforme apurou a Itatiaia. Quem desrespeitar o defeso no Rio Mogi Guaçu — inclusive no trecho que corta a cidade de Mogi Guaçu — está sujeito a multa que pode chegar a R$ 100 mil, além da apreensão imediata de equipamentos, redes, varas, tralhas e embarcações.
O fenômeno é a piracema, palavra de origem tupi que significa “subida ou saída dos peixes”. Nessa época do ano, os peixes que estão prontos para se reproduzir nadam contra a correnteza em busca das cabeceiras, onde as condições da água garantem a fecundação dos óvulos e a sobrevivência das larvas. Durante a migração, ficam mais expostos à captura — por isso a pesca é restringida em boa parte dos estados do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Operação Piracema começa antes do defeso
A Polícia Militar Ambiental de São Paulo antecipou a fiscalização e deu início na sexta-feira (16) à Operação Piracema 2026/27, que se estende até 26 de março de 2027 em todo o território paulista. A ação foi dividida em três fases, segundo a corporação:
- Pré-piracema, de 16 a 31 de outubro — prevenção da pesca predatória e combate ao estoque irregular de pescado antes do defeso;
- Piracema, de 1º de novembro a 28 de fevereiro — fiscalização rigorosa do cumprimento do defeso total nas bacias e nos rios do estado;
- Pós-piracema, de 1º a 26 de março de 2027 — monitoramento do retorno das atividades e regularização do comércio.
Nesta fase prévia, os policiais ambientais intensificaram patrulhamentos terrestres e náuticos em áreas de grande concentração de peixes e montaram bloqueios nas vias de acesso a rios, represas e mananciais. A fiscalização passa também por feiras, peixarias e estabelecimentos comerciais, para checar a procedência legal do pescado armazenado.
O que muda para quem vive em Mogi Guaçu
Para quem pesca no Rio Mogi Guaçu por esporte ou para consumo, a partir de 1º de novembro não será permitido retirar peixe do rio no trecho paulista. Comerciantes e pesqueiros da cidade que vendem pescado precisam comprovar a origem do produto durante todo o período, já que a checagem de estoques é uma das frentes da operação.
A orientação da Polícia Militar Ambiental é que pescadores amadores e profissionais acompanhem as regras antes de sair de casa. Além das abordagens em campo, as equipes realizam ações de educação ambiental sobre a importância do defeso para a renovação da vida aquática. O desrespeito às restrições é crime ambiental.
A piracema segue até fevereiro, e o movimento de subida dos peixes deve se intensificar nas próximas semanas no Rio Mogi Guaçu. Estados como Mato Grosso e Santa Catarina já começaram o defeso em 1º de outubro, com restrições válidas até 31 de janeiro de 2027, em calendários próprios.