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Agora · Atualização Ponte entre Sousas e Joaquim Egídio é fechada para reparo após erosão 21 out 2026, 17h05
Marília

MPSP pede anulação de contratos de shows de Gusttavo Lima e Maiara e Maraisa em Marília

Ação do Ministério Público aponta uso de R$ 1,7 milhão da Saúde e da Educação no AgroFood Show; Justiça negou liminar.

Palco de show montado ao ar livre, com estrutura metálica e refletores acesos à noite
Pulso Regional · Pulso Regional

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou uma ação civil pública pedindo a anulação dos contratos dos shows de Gusttavo Lima e da dupla Maiara e Maraisa no evento 1ª AgroFood Show, realizado em Marília entre os dias 17 e 19 de setembro. De acordo com o Metrópoles, que noticiou a ação, a Promotoria sustenta que as apresentações foram pagas com recursos inicialmente destinados à Saúde e à Educação.

Do total de R$ 2.254.000 desembolsados pela prefeitura, R$ 1,5 milhão custearam o show de Gusttavo Lima e R$ 754 mil foram pagos à dupla Maiara e Maraisa. Segundo o MPSP, R$ 1,7 milhão foi remanejado do orçamento municipal para bancar as atrações, sendo R$ 1,53 milhão previstos para a Saúde e R$ 170 mil para a Educação. O órgão aponta ainda que os gastos ocorreram em meio a déficit fiscal, obrigações essenciais pendentes e desequilíbrio nas contas da Previdência Social.

O que decidiu a Justiça

A Vara da Fazenda Pública de Marília negou o pedido de liminar para anular os contratos e suspender os pagamentos. Em decisão assinada em 14 de setembro, o juiz Walmir Idalêncio dos Santos Cruz reconhece a ausência de caixa no município para custear serviços públicos essenciais e pagamento de pessoal, mas entende que não cabe ao Poder Judiciário definir as prioridades de gestão do orçamento público.

“Por mais que se possa questionar a ordem de prioridades na gestão do orçamento do Município de Marília”, os pagamentos estão dentro do que permite a Lei Orçamentária Anual.

Walmir Idalêncio dos Santos Cruz, juiz da Vara da Fazenda Pública de Marília

O magistrado citou o decreto de 20 de agosto de 2026, que abriu crédito suplementar de R$ 2.285.500, dos quais R$ 2.254.000 foram destinados às apresentações. Para ele, a abertura do crédito indica que havia previsão de fonte de custeio para os pagamentos.

O que diz a Prefeitura

Em nota enviada ao Metrópoles, a Prefeitura de Marília nega que a realocação dos valores tenha envolvido recursos vinculados à Saúde ou à Educação, ou verbas de convênios e do SUS. “A medida incidiu exclusivamente sobre saldos não comprometidos do Tesouro Municipal”, afirma a gestão municipal.

A prefeitura sustenta ainda que as contratações foram precedidas de decreto de abertura de crédito adicional suplementar, com autorização legislativa prévia prevista na Lei Orçamentária Anual, e que o município cumpre os pisos constitucionais com margem: 20,5% de aplicação em Saúde, diante do mínimo de 15%, e 29,76% em Educação, frente ao mínimo de 25%. A gestão também afirma que o evento tem alcance suprarregional e integra a política municipal de desenvolvimento econômico voltada ao agronegócio e ao turismo.

Segundo o Metrópoles, o Ministério Público de São Paulo recorreu da decisão que negou a liminar. As assessorias de imprensa dos artistas não responderam até a publicação da reportagem.