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Agora · Atualização Ponte entre Sousas e Joaquim Egídio é fechada para reparo após erosão 21 out 2026, 17h05
Guarulhos · Cidades

Milton Leite é transferido para o CDP II de Guarulhos após denúncias de regalias

Ex-presidente da Câmara de São Paulo estava na cadeia de Mogi das Cruzes desde 18 de setembro e chegou ao presídio da Grande São Paulo na manhã desta terça-feira.

Muro alto de concreto de unidade prisional visto de fora, com faixa de grama na base
Pulso Regional · Pulso Regional

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União) foi transferido na manhã desta terça-feira (20) para o Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele estava preso desde 18 de setembro na cadeia pública de Mogi das Cruzes. A informação foi confirmada ao Terra pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) do estado, que informou que ele deu entrada na unidade ainda pela manhã.

A mudança de unidade ocorre três dias após o afastamento de cinco pessoas suspeitas de conceder regalias ao ex-vereador na cadeia de Mogi das Cruzes. Segundo o g1, entre os afastados estão a delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, o diretor da cadeia pública do município, o delegado titular do 1º Distrito Policial da cidade, um investigador e um carcereiro. A decisão foi tomada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, depois que os investigados prestaram depoimento à Corregedoria.

O que motivou a transferência

A apuração sobre favorecimento dentro da prisão ganhou força após uma operação do Ministério Público, na quinta-feira (16), que apurou denúncias de que presos recebiam benefícios irregulares. Conforme relatado pelo Terra, os promotores descreveram um “fluxo incessante” de visitantes, muitos deles sem vínculo familiar com o custodiado, além de outras regalias consideradas incompatíveis com o cárcere.

Durante as buscas, a força-tarefa apreendeu US$ 10 mil e mais R$ 155 mil em espécie. Segundo os investigadores, pelo menos R$ 4 mil estavam com o próprio carcereiro, cujo celular foi apreendido. A varredura foi determinada pelo juiz Domicio Whately Pacheco e Silva, da Vara Regional das Garantias de Guarulhos, que expediu três mandados de busca e apreensão: a casa do servidor, as dependências do 1º Distrito Policial e a cadeia de Mogi das Cruzes.

Em depoimento, a delegada Margarette Barreto afirmou que tinha conhecimento de apenas duas visitas a Milton Leite — a do deputado estadual Delegado Olim (PP) e a da esposa do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Ela negou que tenham sido concedidos privilégios e disse que a presença de uma televisão na unidade e a entrega de refeições externas haviam sido autorizadas pelo juiz-corregedor. As explicações não convenceram a cúpula da Polícia Civil.

“Ele não recebe e nunca recebeu qualquer tipo de regalia ou tratamento diferenciado na unidade em que está custodiado. Ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas a todos os demais custodiados.”

Defesa de Milton Leite, em nota

A investigação

Milton Leite foi preso no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada em 17 de setembro para apurar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da capital paulista. Segundo os investigadores, ele seria responsável pela operação de empresas que estariam sob controle da facção e seria o dono de fato da Transwolff. O ex-vereador se entregou à polícia em 18 de setembro, em uma delegacia de Mogi das Cruzes, e afirmou ser inocente.

A operação mirou ainda a chamada “Sintonia dos Gravatas”, núcleo que, segundo a polícia, reuniria advogados que atuariam em benefício da organização criminosa. No dia 14 de outubro, a Justiça de São Paulo prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária do ex-vereador.

Milton Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo por seis anos. Deixou o Legislativo no fim de 2024, após 28 anos no cargo.