Delegado fere dois jovens a tiros durante abordagem a moto em Guarulhos; caso é investigado
Jovens de 22 e 18 anos foram atingidos nas pernas na Avenida Tiradentes, no domingo (18); a Corregedoria acompanha o caso
Um delegado da Polícia Civil feriu a tiros dois jovens, de 22 e 18 anos, durante uma abordagem a uma motocicleta na madrugada de domingo (18), na Avenida Tiradentes, no bairro Macedo, em Guarulhos. As vítimas são Luan Gomes Santos Cardoso, de 22 anos, e Gabriely Gonçalves Zaneli, de 18, que foram atingidas nas pernas e socorridas a hospitais da cidade, de acordo com o g1.
Luan foi levado ao Hospital Municipal de Urgência (HMU) e Gabriely, ao Hospital Geral de Guarulhos (HGG). Segundo o boletim de ocorrência, os dois permaneciam internados e aguardavam cirurgia.
O que diz a versão registrada pela polícia
O disparo foi feito pelo delegado Carlos Eduardo Martins Filho, do 1º Distrito Policial de Guarulhos, que estava acompanhado do investigador Nicolas Lincoln Lima e Silva. Os dois seguiam para uma diligência relacionada a um homicídio quando decidiram abordar duas motocicletas que trafegavam lentamente, lado a lado, na Avenida Tiradentes.
De acordo com o relato dos agentes, um dos passageiros gesticulava e apontava para a outra moto, o que levantou a suspeita de um roubo em andamento. Os policiais afirmam que acionaram os sinais sonoros e luminosos da viatura e deram ordem de parada, que não foi obedecida.
Na altura do número 2028 da avenida, uma das motos teria reduzido a velocidade, como se fosse atender à ordem. Segundo o delegado, quando a viatura se aproximou, um dos ocupantes puxou seu braço pela manga da camisa. Ele disse que tentou se desvencilhar para evitar que a arma fosse tomada e que, no movimento, houve o disparo que atingiu os dois jovens.
Os policiais relataram ainda que não perceberam de imediato que Luan e Gabriely haviam sido baleados. A motocicleta continuou em movimento e os dois foram encontrados depois caídos na Avenida Paulo Faccini, em frente ao Bosque Maia. Uma equipe da Polícia Militar foi acionada inicialmente como ocorrência de acidente de trânsito, e só com a chegada do socorro foi constatado que os ferimentos eram provocados por arma de fogo.
Versão diferente e investigação
Durante o registro da ocorrência, Vitor Oliveira da Silva, que conduzia a outra motocicleta, apresentou à delegacia uma versão diferente sobre parte da abordagem. Ele afirmou que voltava de um bar na Rua Tapajós, onde havia consumido bebida alcoólica com Luan, seu vizinho, e que os dois trabalhavam com entregas. Segundo Vitor, ele estava um pouco à frente e não ouviu sinais sonoros nem o disparo, por isso seguiu pela avenida. Ele também disse que havia emprestado a motocicleta a Luan e que não sabia que o rapaz não tinha habilitação.
A ocorrência foi registrada inicialmente como desobediência, resistência e disparo de arma de fogo. A autoridade responsável pelo boletim considerou, de forma preliminar, que a abordagem foi legítima e que os relatos indicavam um disparo acidental. A dinâmica do episódio, porém, ainda depende dos resultados das perícias e das demais diligências.
A pistola Glock calibre 9 milímetros usada pelo delegado foi apreendida e encaminhada para exames balísticos. A Polícia Civil determinou perícia no local, a obtenção de imagens de câmeras de segurança ao longo do percurso e a apreensão do celular de Gabriely, cujo conteúdo só poderá ser acessado com autorização judicial. O Núcleo Corregedor da Delegacia Seccional de Guarulhos foi comunicado sobre o caso, que é investigado pelo 1º Distrito Policial.
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública não informou prazo para a conclusão das apurações. Quem tiver informações sobre o caso pode procurar os canais oficiais da Corregedoria da Polícia Civil e das delegacias da cidade.
Fontes desta matéria
- g1
- Polícia Civil de São Paulo
- Polícia Militar
- Secretaria da Segurança Pública
- Vitor