Ir para o conteúdo
Araraquara · Cidades

Araraquara leva 1º lugar no Prêmio Josué de Castro com hortifrúti de produtores locais

Programa da prefeitura compra hortifrúti e mel de mais de 170 agricultores familiares e transforma em 500 cestas semanais distribuídas nos dez CRAS da cidade.

Cestas com frutas, legumes e verduras frescas sobre bancas de madeira em banco de alimentos
Pulso Regional · Pulso Regional

Araraquara ganhou o primeiro lugar do Prêmio Josué de Castro, entregue na sexta-feira (16) em solenidade da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, que reconhece projetos de segurança alimentar e nutricional no estado de São Paulo. A cidade concorreu com o programa “Rompendo Monotonias e Melhorando Vidas”, coordenado pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, e foi representada na cerimônia pelo secretário João Henrique de Souza Freitas, segundo o folhacidade.net.

A aposta de Araraquara, mantida desde 2019, une dois mundos que raramente aparecem no mesmo desenho de política pública: de um lado, o pequeno produtor rural do município; do outro, famílias em situação de extrema vulnerabilidade social na área urbana. Pelo Programa Municipal de Agricultura de Interesse Social (PMAis), a prefeitura compra hortifrúti e mel diretamente de agricultores familiares locais. Toda a produção é centralizada no Banco Municipal de Alimentos, transformada em cerca de 500 cestas semanais de hortifrúti e distribuída nos dez Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) da cidade.

Sete anos e números auditados

Os indicadores auditados ao longo dos sete anos de execução contínua do programa mostram o tamanho da operação: mais de R$ 4 milhões investidos com recursos próprios do município, cerca de 582 toneladas de alimentos in natura adquiridos e aproximadamente 76 mil cestas de hortifrúti entregues. No campo, mais de 170 agricultores familiares e duas cooperativas integram a cadeia de abastecimento, cobrindo todo o território dos dez CRAS.

O comitê de avaliação do prêmio destacou o desenho duplo da política, que ataca dois problemas ao mesmo tempo. Na agricultura, o mercado institucional estimula o pequeno produtor a diversificar as plantações, reduzir os monocultivos e consolidar as chamadas cadeias curtas, aproximando quem produz de quem consome e eliminando intermediários. Na mesa das famílias atendidas, a chegada semanal de frutas, legumes e verduras frescas contrapõe dietas restritas a ultraprocessados, combate a neofobia alimentar, a rejeição a alimentos novos, e ajuda a educar o paladar de crianças e adultos.

Quem é atendido e como é fiscalizado

As cestas priorizam famílias chefiadas por mulheres e pessoas negras em situação de alta vulnerabilidade social, com recorte de gênero e raça na base da pirâmide social. Para garantir a eficiência do dinheiro público, a gestão usa o sistema informatizado “Juntos contra a Fome”, que rastreia cada entrega. O impacto real é medido pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), que aponta o recuo dos índices de fome nas regiões atendidas.

A política pública ainda passa por controle social: o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsan) realiza visitas técnicas às propriedades rurais parceiras, e as famílias participam de oficinas culinárias do Núcleo de Educação Alimentar e Nutricional (NEAN), em parceria com universidades locais, para aprender receitas de aproveitamento integral dos alimentos.

“Conquistar o 1º lugar no Prêmio Josué de Castro é motivo de muito orgulho para Araraquara. Esse reconhecimento mostra que estamos no caminho certo, unindo o fortalecimento da agricultura familiar ao combate à fome”, disse o secretário João Henrique de Souza Freitas.

“Esse prêmio reconhece uma política pública que transforma alimentos em cuidado, oportunidades e esperança”, afirmou o subsecretário Lucas Mateus Grecco.

Lucas Mateus Grecco, subsecretário de Segurança Alimentar de Araraquara

Com a premiação, o programa de Araraquara passa a ser referência estadual em segurança alimentar. Para quem mora na cidade, o efeito prático segue o mesmo dos sete últimos anos: hortifrúti fresco, comprado de produtores locais, chega toda semana às famílias atendidas pelos CRAS.

Fontes desta matéria

  • Folha Cidade
  • CRAS